10 de junho de 2009

PEDALAR COM OS SENTIDOS...


Série SENTIDOS - Projeto para telas 70x70 em acrílico, parcialmente concluído / ©Gero! @2005
Amigos...

Ser ciclista é ser e estar consciente de todo o ambiente que o rodeia, todo o tempo. É preciso, porque são nossos sentidos que garantem nossa segurança. Nossa audição é nosso retrovisor, percebendo quem vem atrás de nós e qual o potencial de risco que corremos em todos os momentos. Nossa visão é inestimável, porque garante que possamos evitar os riscos que podem ser fatais para nós, mesmo sem o ser para um carro, como um buraco ou desnível acentuado à frente, outros veículos parados à direita, etc.

Os outros sentidos “descansam” quando pedalamos são o olfato, paladar e tato, a mesmo que se considere ficar consciente do contato com o selim, manetes ou pedais como necessários a sua segurança. Mesmo assim, estamos conscientes da nossa hidratação, das possíveis assaduras e dores que rolam em nosso corpo, causadas pelo ato de pedalar. Alguns destes fatores conseguem distrair os demais sentidos responsáveis pela nossa segurança e por isto, algumas vezes, causam acidentes.

O bom ciclista precisa aprender a estender seu controle ambiental ao próprio corpo, buscando o ajuste mais correto do corpo com a bicicleta para garantir o mínimo de interferência ao ato de pedalar, e ajudando a manter o foco centrado no ato de guiar a bicicleta no trânsito, sem riscos desnecessários.

Precisa estudar e aprender qual o seu ponto ótimo de pedalada, a sua “cadência de ouro”, aquela velocidade que faz o pedalar fluir suavemente, permitindo que ele se desloque com o mínimo de esforço, o máximo de prazer e qualidade, que o deixe pensar e raciocinar sobre o tráfego, suas opções em cada situação que se apresenta, tudo para garantir a sua segurança.

Pedalar pelas ruas é como andar pelas ruas, só que mais rápido. Exige cautela, algum esforço físico e muita atenção. Só com todos os sentidos alertas podemos fazê-lo com prazer, segurança e bem-estar.


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NOTAS PARA UMA CIDADE MELHOR...


Amigos...

Recife tem as melhores condições naturais para um ciclista. Com apenas alguns morros na zona norte, é uma cidade praticamente plana. A geografia é auxiliada por uma urbanização simples, estruturada em ruas e avenidas cortadas por outras ruas e avenidas, com esquinas e muitos quarteirões. O clima é tropical, quente boa parte do ano e com boa umidade. O sol é forte, e as chuvas, no período de inverno, também. Por vezes, acontecem alagamentos e formação de poças grandes de água de chuva, muito devido ao fato de ser uma cidade praticamente ao nível do mar. Quando a maré está cheia e chove forte, a água não tem para onde escoar. Mas é um problema menor.

Acontece também que Recife tem a pior infraestrutura para o ciclista.

O asfalto da cidade é da pior qualidade e muitas ruas em bairros perto do centro ainda precisam ser asfaltadas. Muitas ruas são calçadas com paralelepípedo, um péssimo piso para ciclistas. Outras, em especial grandes avenidas, são feitas de placas de concreto. Economicamente podem ser ótimas se bem feitas, mas que com o passar do tempo assentadas em terreno originalmente pantanoso, assentam de forma irregular, ficando mais alta em uma das pontas. Péssimo pedalar nelas assim, como na av. Norte ou na Imbiribeira. Ínfimo problema para os carros. Muitos problemas para nós!

A sinalização da cidade também é muito deficiente, as ruas e avenidas não têm placas com nome, os sinais de pedestres costumam ser acertados para 9 segundos, tempo suficiente para uma pessoa adulta, nova e em boas condições físicas. E quando são idosos, cegos ou cadeirantes? Muitas áreas públicas carecem de uma sinalização mais efetiva. Muitas travessias de pedestres são mau sinalizadas, muitas ruas são de duplo sentido quando só deveriam ser de sentido único. Parece que o papel normativo, preventivo e racional da CTTU sumiu. Só tem espaço para o papel punitivo. Pensam apenas no tráfego de veículos, esquecendo que pedestres, ciclistas e pessoas com capacidades físicas reduzidas também são cidadãos, também pagam impostos, também vivem aqui!

A fiscalização da prefeitura é altamente ineficiente. Muitos proprietários de negócios acham que por isto podem deixar seus clientes usarem a calçada como estacionamento, porque não serão multados e não precisarão investir em espaço para estacionamento regular. As calçadas viraram terra de ninguém, prejudicando cadeirantes e pedestres. Indiretamente, nós ciclistas é que temos que nos “virar nos 30” para evitar os pedestres que expulsos por estes estacionamentos irregulares, passam a via pública, oferecendo risco para ambos!

As linhas de ônibus são relativamente bem posicionadas, mas tem muitas linhas passando na mesma via. Penso que um processo de integração mais efetivo seria mais interessante, evitando tantos PE-15 vazios e tantos CDU lotados! Menos linhas mas com mesmo número de ônibus, bem entendido, ou mais. Organiza-los melhor poderia reduzir o risco para nós ciclistas, melhorar o desempenho do transporte público, atrair mais usuários e esvaziar a rua de carros. Curitiba que o diga!

Finalmente, o mais importante, Recife apesar de ter uma enorme massa de ciclistas, pessoas de todas as faixas etárias, mas que em geral, são das camadas mais necessitadas da sociedade, não tem políticas públicas para incentivar e promover uma integração maior dos ciclistas ao tráfego. Estas pessoas são tratadas como uma subcultura, pessoas que perturbam o tráfego “normal” dos carros. Não são vistos como expoentes de uma nova classe de pessoas, que movimenta-se sem poluir, sem sujar o ar, com o mínimo de desperdício de energia. São tratados como subgente.

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CAPACETE... É USAR OU MORRER!


Amigos...

Em Recife, tem crescido o número de empresas que dedicam-se a entregas diversas usando bicicletas de carga. Várias eu já observei adotam o capacete para seus entregadores e os obrigam mesmo a usa-lo. Já vi também vários com o capacete em cima das mercadorias que estão sendo entregues, enquanto na cabeça eles usam bonés!

Como todo EPI, equipamento de proteção individual, o capacete é uma peça necessária. Nos meus tempos de indústria, vi vários serem salvos de acidentes graves por conta do capacete. Como nossa cidade é quente, muitos alegam que usar o capacete é muito ruim. Mesmo assim, é um item extremamente necessário.

Pesquisas mostram que um acidente em baixa velocidade, cerca de 20km/h, normal em uma bicicleta, o ciclista corre um risco de morte de 10%! Este risco triplica em velocidades de apenas 40 km/h! Um acidente a 30 km/h equivale a uma queda do primeiro andar, 3,5 metros de altura. Se em pé você até aguentar uma queda assim, com a cabeça desprotegida, com certeza não! Agora imaginem se acontecer uma batida contra um veículo a 40 ou 50 km/h apenas. O impacto de um carro a 40km/h em um ciclista PARADO, o lançaria um ciclista de 90kg com sua bicicleta a mais de 20km/h aproximadamente. Caso o mesmo ciclista estivesse se movendo a 20km/h e sofresse um impacto direto de um veículo a 40km/h em sentido contrário, o impacto seria o equivalente a 60km/h e o ciclista seria arremessado a quase 30km/h, sem defesa alguma exceto o capacete.

Vale a pena morrer para deixar a cabeça um pouco mais fria?

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9 de junho de 2009

COISAS QUE ME DEIXAM LOUCO!!!



Amigos...

Quem pedala por ai está cansado de ver as maluquices que acontecem na rua e em geral a gente só registra o que carros e ônibus fazem. Mas muitos de nós, ciclistas, pisamos na bola também! Vamos ver alguns casos que me deixaram "pirado":
  1. ENTREGADOR CICLISTA COM O CAPACETE NA CESTA, PEDALANDO PELA CONTRAMÃO! Nas costas, a frase "COMO ESTOU ENTREGANDO?" e o número deo telefone XXXX-7373... Tenho o número todo, mas quem sabe o dono reconheça apenas o final tão peculiar!!! Vi DOIS um atrás do outro, ambos com o capacete na cesta da bicicleta, pedalando de boné, 7h da manhã, dia fresco, sem sol forte, sem desculpa do calor! Local: o perigoso cruzamento da descida da Ponte da Capunga com a Beira Rio, um cruzamento dos mais difíceis! Acho que era caso de DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA! E atravessaram a ponte pela contramão!
  2. CICLISTA PEDALANDO NO MEIO DA PONTE! Como se nenhum carro estivesse ali, ele pedalava exatamente pelo meio da ponte da Torre, entre os dois fluxos de veículos que trafegam em sentidos contrários. E naquele horário de tráfego maravilhoso: 17:30h! Acho que é a crise... pelo menos o enterro fica por conta de outra pessoa! O ESTADO, O MOTORISTA QUE O ATROPELA, NÓS E NOSSOS IMPOSTOS!
  3. CICLISTA DE GRUPO FAZENDO ASNEIRA! Costumo pensar que quem pedala nos grupos costuma ter um pouco mais de noção. Mas tá cheio de SEM-NOÇÃO nestes grupos. Quem tiver um pouco de paciência vai flagrar muitos "pedaleixados" todo equipado, mas na contramão justo quando está indo sair no CicloAdventure e no Corujaqueira nas terças. Em especial, naquela rua que liga o SERPRO ao FITEIRO. E é um grupo deles, e fazendo isto à noite! Precisamos aumentar a pressão para este povo pedalar direito!
  4. PEDALANDO NAS CALÇADAS! São tantas as vezes que surpreendo gente pedalando na calçada para evitar o trânsito na via, que já perdi a conta. Recentemente o sujeito passou pelo meio do ponto de ônibus LOTADO que fica aqui na porta de casa, pedindo licença! Quase resolvo implicar e ficar lá parado. Acho que vou criar umas camisetas do tipo, A CALÇADA É DO PEDESTRE! PEDALE NA RUA!... ou COM MEDO DE PEDALAR NA RUA, CABRA FRÔXO?!
  5. "PEITANDO" ÔNIBUS PARADO NO PONTO! Tem muitos ciclistas que se acham parentes do Superman e que por estar parado no ponto o ônibus está morto! Muitos cortam o ônibus por fora, enfrentando o tráfego sem se dar conta do risco que correm. E 95% está sem capacete! São tantos que fico imaginando o que passa na cabeça destas peças! Talvez nada... vai que é por isto que não usam capacete e fazem loucuras deste tipo, porque NÃO TÊM NADA A PROTEGER E A PERDER caso quebrem a cabeça completamente VAZIA!
Finalmente, o que me deixa realmente louco é quando ouço que a culpa da morte dos ciclistas ser do motorista do carro, caminhão ou ônibus. Cada caso é um caso, não dá para generalizar. O ciclista é o polo mais fraco da relação, mas jogar-se na frente dos carros, pedalar sem proteção ou de forma insegura, também não são atitudes sensatas. Dirigir ou pedalar com segurança é dever de TODOS e obrigação de qualquer cidadão, ele pague ou não o IPVA!

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8 de junho de 2009

RETROVISORES... PARA QUE TE QUERO!?



Amigos...

Desde que recomecei a pedalar, quase um ano atrás, tenho pensado se vale a pena colocar os retrovisores na minha bicicleta. Minha experiência anterior com a velha Caloi Altus, em 1993-1996, me mostrou que raramente estes espelhos forneciam informações confiáveis sobre o que vem atrás. Provavelmente hoje, pedalando a noite, ele pode ser útil, mas tenho algumas dúvidas sobre o assunto. O espelho é pequeno, têm campo visível mínimo, vibrando intensamente acompanhando o sistema de amortecimento dianteiro, e com certeza, não vão dispensar o uso da visão periférica. Acho que pelo contrário, ele terá a função de inibir o uso desta visão periférica que com o uso, tem se tornado quase uma segunda audição. Hoje, quando ando pelas ruas a pé, ao atravessar ruas, eu uso a periférica automaticamente. Muitas vezes, em conjunção com a audição, outro sentido que "despertou" com o uso da bicicleta.

O Código de Trânsito Brasileiro tem o espelho como um ítem obrigatório, a saber:
Art. 105. São equipamentos obrigatórios dos veículos, entre outros a serem estabelecidos pelo CONTRAN:
...
VI - para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.
Realmente não acho que alguém do CONTRAN use bicicleta. Nem correta, nem incorretamente. Este conselho só deve ter motoristas! Senão cadê o CAPACETE nesta lista? Gente, todos nós que pedalamos sabemos quão é importante o uso do CAPACETE para nós ciclistas que pedalamos no NOSSO trânsito, das NOSSAS cidades congestionadas, cheias de motoristas tensos, nervosos e estressados, capazes das maiores besteiras ao dirigir, colocando nossa vida e a vida deles em risco apenas para chegar alguns minutos antes a qualquer lugar!

Então, por euquanto, seguirei pedalando sem usar retrovisores mas de capacete! Simplesmente porque acredito que para os retrovisores realmente funcionarem têm de ser como aqueles da foto aí de cima, tomada na Boa Vista, em um ciclista que faz entrega de revistas e jornais e cujos retrovisores são dois e adaptados de um veículo BESTA da KIA. Enormes e em dupla, acredito que só assim, será possível realmente confiar na informação que eles nos dão!

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DE OLHO NA BIKE



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Ei, QUER SUA FOTO AQUI TAMBÉM? Se tiver bicicleta nela, vale! Mande com uns 800 pixels de largura maior para CONTATO.RL@GMAIL.COM, com marca d'água, nome, email e/ou telefone. Atualizado todo final de semana.
No aguarde!

Original ROGÉRIO LEITE @ 2010