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29 de junho de 2010

PERCEPÇÕES DO MERCADO...

Amigos...

Este post está sendo escrito em Junho de 2010. Cerca de 2 anos atrás eu comecei a procurar uma bicicleta para comprar, dois meses depois de voltar a morar em Recife. O mercado era igual a hoje, sem grandes alterações. Minha percepção sobre o segmento de usuários das bicicletas é que mudou. De um lado, comecei a notar quem é o usuário médio recifense de bicicleta e qual o perfil de consumo deste usuário na sociedade. De outro, mudou minha concepção como usuário da bicicleta, de objeto dedicado ao lazer para veículo multipropósito, ambientalmente limpo, e sustentável.

Se fossemos colocar os usuários em classes teríamos dois típicos. Primeiro, aqueles que têm sua bike para lazer apenas e gastam muito com ela, geralmente possuindo bicicletas de marcas, investindo em acessórios e em passeios e rotas de lazer. Depois, o trabalhador de baixa renda, que poupa a passagem de ônibus indo de bike, diariamente, dentro de Recife e com muita frequência entre os municípios da Região Metropolitana.

Estes segmentos são bem diferentes entre si, particularmente no seu perfil de consumo. O primeiro, investe em equipamento mais sofisticado e caro, muitas vezes importado. Investe em vestuário especial, bicicletas muito leves, rotas e trilhas em todo o Estado. Participa de grupos de passeios e aventuras, faz turismo levando a bicicleta e também faz cicloturismo diretamente (vai e volta com a bike). Têm nível cultural mais elevado e a grande maioria, tem carteira de motorista e dirige regularmente.

O outro, persegue durabilidade, baixo custo, eficiência no que consome. As bicicletas devem ser resistentes e terem baixo custo de manutenção. O investimento em vestuário especial, iluminação ou itens de segurança é mínimo. O nível cultural também é mais baixo que no primeiro grupo e costumam não seguir as regras de trânsito, expondo-se a mais riscos. São os que mais precisam do apoio público na construção de cicloinfraestrutura, e os que menos recebem de volta. Não participa de passeios ou grupos, apenas usa a bicicleta para qualquer lugar que queira ir.

Apesar de não ser um destaque, também tem crescido dentre os do primeiro grupo, o número de pessoas que não suportam mais o tráfego e resolvem usar suas bikes de lazer para o deslocamento diário. Provavelmente, ambos os segmentos destacados caminham para um segmento único de pessoas que passem a usar a bicicleta como veículo. Isto não vai se dar muito rapidamente, porque os gestores do tráfego recifense vivem um dilema ovo-galinha: não se constroi para os ciclistas porque eles não estão visíveis, e eles não se mostram muito porque não temos uma estrutura de tráfego adequada a eles.

O Recife é uma cidade plana e é altamente indicada para o uso da bicicleta como meio de transporte. E faço disto meu objetivo declarado aqui no P&O, e conto com o apoio de vocês!

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23 de junho de 2010

ESTAMOS FAZENDO SOMBRA...

Foto: EcoVelo!

Amigos...

Tenho percebido alguns sinais inequívocos de que de alguma forma a bicicleta está começando a incomodar a indústria dos motorizados leves. Vamos a eles:
  • Primeiro, percebo um aumento elevado na quantidade de blogs, sites e outros pontos de contato virtual ao redor do mundo, dedicados a magrela.
  • Depois, noto uma elevação da quantidade de pessoas que estão sempre ligadas ao que ocorre no mundo, tipo marketeiros, publicitários, nerds, geeks, etc, que passam a pedalar muito, ou em passeios organizados ou para todos os lugares e todas as horas.
  • Também observo a grande quantidade de bicicletas e e-bikes desenvolvidas como "solução de transporte complementar" por fabricantes de carros, que de uma hora para outra perceberam que "precisam" oferecer isto para o seu mercado. Não parece estranho isto?
  • E finalmente, começo a farejar que alguns destes antenados, defendendo quem os alimenta - a indústria dos motorizados leves - começam a criar campanhas publicitárias e peças de marketing, se opondo a bicicleta, às vezes de forma sutil, às vezes de forma bem óbvia, para não "prenderem o rabo" no futuro.
Sinais dos tempos? Posso estar enganado, mas me parecem sinais de que de uma forma ou de outra a magrela está fazendo sombra sobre os desejos e vontades dos fabricantes de carros e motos, que para garantir sua posição estratégica na mobilidade mundial futura, está tentando formar a opinião das pessoas na direção da opinião deles, enquanto investe em formar uma mentalidade de intermodalidade que garanta seu espaço no futuro, que eles julgam líquido e certo.

Certamente, não seria o caso de pensarmos que estes fabricantes, movidos a lucros fantásticos com um faturamento de milhões, quisessem entregar tudo isto de bandeja para outros fabricantes de veículos leves, que não faturam tanto, mas que são mesmo a solução para os excessos cometidos contra a natureza e no uso do espaço público cada vez mais reduzido. E com tantos recursos, as agências de publicidade, onde estão muitos usuários das bikes - os antenados - viram reféns do lucro imediato, produzindo peças nas quais "vendem" a idéia do carro em cima do bem ou mal da bicicleta, sem se sujarem muito, porque elas mesmo perceberam que o futuro está fazendo sombra dentro de casa. E não tem como qualquer um escapar dela!

COMENTEM!!!

DE OLHO NA BIKE



Click nas imagens e veja as fotos ampliadas no PICASA NA WEB!
Ei, QUER SUA FOTO AQUI TAMBÉM? Se tiver bicicleta nela, vale! Mande com uns 800 pixels de largura maior para CONTATO.RL@GMAIL.COM, com marca d'água, nome, email e/ou telefone. Atualizado todo final de semana.
No aguarde!

Original ROGÉRIO LEITE @ 2010