
Amigos...
Uma das coisa que aprendi a fazer com os passeios ciclisticos que fiz neste último ano, foi a usar o capacete para pedalar. Quando era criança e adolescente, e até mesmo com minha bicicleta anterior, a Caloi Altus que tinha em Salvador por volta de 1994, eu não usava capacete. Nem mesmo passou uma única vez pela cabeça comprar e usar um capacete para pedalar pela cidade. Graças a Deus nunca precisei dele.
Neste ano pedalando, vi alguns acidentes, quedas feias em que o capacete salvou o dia em alguns casos. Em nenhum, atrapalhou, o que já é muito a se dizer sobre um equipamento de segurança. Em alguns destes acidentes, o capacete chegou a ser destruído, com pequeno ou nenhum dano ao usuário.
Por outro lado, sou um habitué do Copenhagenize.com, um site dinarmaquês que tem como pano de fundo a idéia de que podemos todos, ao redor do mundo, adotar o estilo de vida de Copenhagen, fazendo uma "copenhaguenização" de nossas cidades no que tange ao uso da bicicleta como uma extensão do nosso corpo e criando uma cultura da bicicleta sem paralelos pelo mundo afota. Um dos pontos que eles mais veemente defendem é de que o uso do capacete viola este estilo de vida e a forma como a cultura da bicicleta está enrraizada no modo de vida do povo dinamarquês. Eles apontam que, pelo mundo a fora, em sociedades em que o uso do capacete é obrigatório, isto não reduziu as mortalidades por acidentes com ciclistas. Depois que as mortes por atropelamento de pedestres e por acidentes com automóveis têm o mesmo índice de mortes de ciclistas, e se assim for, porque os pedestres e os motoristas de automóveis também não usam capacetes? São questões importantes e para as quais não tenho resposta.
Polêmicas à parte, observo que é muito diferente o posicionamento cultural geral de um dinamarquês e de um recifense. O índice de analfabetismo - oficial ou estrutural -, ignorância cultural e social, e desagregação comunitária nestas duas culturas são muito diferentes e influenciam diretamente o comportamento de cada um dos elementos que convivem com o trânsito nas duas cidades. Não sei se as estatísticas iriam mostrar os mesmos resultados no Brasil e em Recife, até porque a bicicleta é encarada como veículo apenas para as classes mais baixas, e inexistem estatísticas sobre o assunto aqui. Muitos acidentes com os ciclistas nem mesmo chegam ao registro público oficial, dificultando a elaboração de um retrato correto sobre nossos problemas.
Resumindo, apesar de achar que Recife vai estar sendo candidata ao paraíso no dia em que a gente puder pedalar sem o capacete como Copenhagen, vou continuar a usar o meu, pelo sim, pelo não! NÃO ACREDITO EM BRUXAS, MAS QUE ELAS EXISTEM...
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