
Amigos...
Quando discutimos com amigos sobre o uso mais generalizado de bicicletas como meio de transporte, sempre nos deparamos com o problema da infra-estrutura empresarial para a adoção desta idéia. A maioria das empresas não dispõe desta estrutura, composta de um vestiário com chuveiro e um armário próprio para cada profissional, além de um bicicletário seguro. Esta infra-estrutura é relativamente pequena, mas só é disponível em empresas bem grandes. Alegam para isto que não existe massa crítica de usuários para tal equipamento e que seria um investimento grande para poucos.
Na verdade, este argumento é o mesmo de tantos outros relativos ao uso da bicicleta como meio de transporte. Não existe usuário, não fazemos nada para promover. Mas aí é que o erro está sendo cometido.
Primeiro, existem mais bicicletas que automóveis no Brasil. Segundo, existem mais usuários de bicicletas como meio de transporte que usuários de carros, fazendo isto todos os dias no Recife. Não parece? Acontece que as bicicletas não são usadas pela maioria dos formadores de opinião da sociedade. São usadas pela classe trabalhadora mais básica, normalmente nunca ouvida em pesquisas, ou mesmo percebida no dia a dia, e que fazem isto as 5 ou 6h da manhã. São porteiros, domésticas, garagistas. São prestadores de serviço simples, pedreiros, auxiliares, etc. São pessoas para quem R$ 3,70 de passagem todos os dias representam quase um quarto do salário mínimo mensal bruto! Pedalar a velha bicicleta é gratis, de manutenção quase nula.
Promover o uso da bicicleta de forma responsável na cidade e estimular empresas a dotar as suas sedes de facilidade para isto teria um enorme impacto social. O crescimento do número de ciclistas em cada empresa, seria um retrato bem fiel de uma empresa voltada para a responsabilidade social e ambiental. A redução de carbono emitido seria um lucro ambiental. Mas a melhora da saúde dos funcionários, redução nos custos dos seguros médicos, melhora na qualidade de vida geral e a redução do número de faltas seria um lucro direto e extremamente compensatório PARA A EMPRESA do investimento que seria a construção de um vestiário e um bicicletário.
Quando os empresários puderem enxergar estes fatos, mais e mais empresas entrarão na onda. E o papel do poder público nisto é promover esta mudança, estimular com redução de impostos locais as alterações necessárias nas empresas, e no tráfego. Só assim, estimulando, conseguiremos ir além do
apocalipse do tráfego que se avizinha em 2017 !
COMEMTEM!!!